Riscos Psicossociais: O Que São, Exemplos Práticos e Como Sua Empresa Deve Agir
- TRH Saúde Ocupacional

- 23 de mar.
- 8 min de leitura
Burnout, estresse crônico e conflitos de liderança não são "frescura de funcionário". São riscos ocupacionais reconhecidos pela lei brasileira — e sua empresa é obrigada a gerenciá-los desde maio de 2025. Entenda o que isso significa na prática.
Leitura: 10 minutos | Atualizado em março/2026 | Obrigatório desde: 26/05/2025
O Que Você Vai Encontrar Neste Guia
O que são riscos psicossociais: definição sem rodeios
Por que o Brasil chegou até aqui: os números que explicam a urgência
Os 8 grupos de riscos psicossociais que a NR-1 exige mapear
Exemplos práticos: o que acontece em empresas reais
Como o risco psicossocial vira afastamento, processo e multa
O que a lei exige da sua empresa agora
O que NÃO é avaliação de riscos psicossociais
Checklist: sua empresa está exposta?
Perguntas frequentes
Como a TRH pode ajudar
1. O Que São Riscos Psicossociais: Definição Sem Rodeios
Risco psicossocial é qualquer característica do trabalho — da forma como ele é organizado, das relações que acontecem dentro dele, ou da pressão que ele gera — que pode causar dano à saúde mental, emocional ou física do trabalhador.
Não é um conceito novo. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) trabalha com esse tema desde os anos 1980. O que é novo no Brasil é a obrigatoriedade legal: desde maio de 2025, toda empresa com funcionários CLT precisa identificar, avaliar e controlar esses riscos.
A diferença entre risco psicossocial e "ambiente de trabalho difícil" é técnica e jurídica. Um ambiente difícil pode ser tolerado. Um risco psicossocial identificado precisa de plano de ação documentado.
2. Por Que o Brasil Chegou Até Aqui: Os Números Que Explicam a Urgência
O Brasil não criou essa obrigação por capricho regulatório. Os dados dos últimos anos deixaram o quadro sem saída.
Os afastamentos por transtornos mentais saltaram de 219.850 em 2023 para 393.670 em 2025 — um aumento de 79% em dois anos [Fonte: ANAMT/INSS]. Isso representa quase 394 mil trabalhadores que pararam de trabalhar por algum problema de saúde mental.
O burnout, especificamente, saiu de controle. Em 2023, o INSS registrou 1.760 casos. Em 2025, foram 6.985 — um aumento de quase 300% em apenas dois anos [Fonte: Agência Brasil].
O impacto financeiro desses afastamentos foi de R$ 3 bilhões em 2024 [Fonte: Agência Brasil]. Isso inclui benefícios previdenciários, mas não os custos das empresas: queda de produtividade, substituição de mão de obra, processos trabalhistas, aumento do FAP/RAT.
Quando o custo social e econômico chegou a esse patamar, a resposta regulatória veio. A Portaria MTE nº 1.419/2024 não foi surpresa para quem acompanhava os dados.
3. Os 8 Grupos de Riscos Psicossociais Que a NR-1 Exige Mapear
A NR-1 atualizada, seguindo os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da OIT, organiza os riscos psicossociais em grupos. Sua empresa precisa verificar cada um deles:
Grupo 1: Demandas e Carga de Trabalho
O trabalhador consegue realizar o que é pedido dentro do tempo disponível?
Existe pressão por metas que beira o impossível? Há horas extras constantes sem compensação adequada? Trabalhadores submetidos cronicamente a demandas além da capacidade desenvolvem sobrecarga cognitiva, que evolui para ansiedade e burnout.
Grupo 2: Controle e Autonomia
O trabalhador tem algum poder de decisão sobre como realiza seu trabalho? Pode organizar suas tarefas, escolher métodos, fazer pausas quando necessário? A ausência total de autonomia é um preditor claro de adoecimento mental.
Grupo 3: Suporte Social e Liderança
Como é a relação entre o trabalhador e sua liderança direta? Existe suporte quando surgem dificuldades? A comunicação é clara? Lideranças que intimidam, que não comunicam, que favorecem uns em detrimento de outros — isso é risco psicossocial mensurável.
Grupo 4: Relações Interpessoais no Trabalho
Existem conflitos crônicos entre colegas? Alguém está sendo excluído ou hostilizado? Há casos suspeitos de assédio moral que nunca são formalizados? Ambiente de trabalho hostil é mais do que desconforto. É risco.
Grupo 5: Reconhecimento e Desenvolvimento
O trabalho realizado é reconhecido? O trabalhador tem perspectiva real de crescimento? Recebe feedback sobre sua performance? A ausência de reconhecimento está diretamente relacionada ao aumento do risco de depressão ocupacional.
Grupo 6: Segurança no Emprego e Previsibilidade
O trabalhador convive com medo constante de demissão? As regras do jogo mudam sem aviso? Os contratos são instáveis ou ameaças veladas fazem parte do dia a dia? Insegurança crônica é um estressor potente e documentado.
Grupo 7: Equilíbrio entre Trabalho e Vida Pessoal
A empresa respeita os limites do horário de trabalho? Funcionários são acionados por WhatsApp às 22h sem que isso seja exceção? As férias são respeitadas ou sistematicamente interrompidas? A hiperconectividade sem limites é um dos riscos psicossociais mais prevalentes no Brasil atual.
Grupo 8: Valores Organizacionais
O trabalhador sente que o que a empresa faz é ético? Ele é cobrado por resultados que contradizem seus valores pessoais? Existe dissonância entre o que a empresa prega e o que pratica? Conflito ético crônico é uma fonte relevante de sofrimento psíquico.
4. Exemplos Práticos: O Que Acontece em Empresas Reais
Empresa de logística, 80 funcionários: Motoristas com metas de entrega impossíveis, sem pausa para almoço, com monitoramento GPS constante e desconto no salário por atrasos causados pelo trânsito. Resultado: alta rotatividade, dois casos de burnout no mesmo semestre, processo trabalhista em andamento. Riscos identificáveis: sobrecarga de trabalho, falta de autonomia, monitoramento excessivo.
Call center, 200 postos: Metas de tempo médio de atendimento que exigem interromper o cliente para cumprir o script. Supervisores que monitoram banheiro em tempo real. Pausas controladas por software. Resultado: maior taxa de afastamento por transtorno mental de todo o grupo. Riscos identificáveis: alta demanda, controle excessivo, falta de autonomia.
Escritório de contabilidade, 30 funcionários: Sócio que envia mensagens em feriados esperando resposta imediata. Comunicação agressiva em reuniões.
Nenhum funcionário conseguiu tirar duas semanas de férias completas nos últimos dois anos. Resultado: três pedidos de demissão em quatro meses, todos apontando "clima organizacional" como motivo. Riscos identificáveis: desequilíbrio trabalho-vida, liderança inadequada, falta de reconhecimento.
Essas situações são comuns. Quando mapeadas formalmente pelo PGR, precisam de plano de ação documentado.
5. Como o Risco Psicossocial Vira Afastamento, Processo e Multa
O caminho é mais curto do que parece:
Exposição crônica: trabalhador exposto a um ou mais riscos psicossociais sem nenhuma medida preventiva.
Adoecimento: desenvolvimento de transtorno — ansiedade, depressão, burnout. Afastamento pelo INSS.
Ação trabalhista: advogado do trabalhador ajuíza reclamação alegando adoecimento decorrente das condições de trabalho.
Perícia judicial: perito do juízo visita o local, avalia condições, questiona colegas e lideranças.
Sem PGR = sem defesa: se a empresa não tem PGR atualizado com riscos psicossociais, não tem como demonstrar que tomou medidas preventivas. A ausência de documentação é interpretada como ausência de ação — e isso facilita a condenação. Custo médio: R$ 50.000+ por processo [Fonte: Jusbrasil].
Paralelo: se o Auditor Fiscal do Trabalho visitar a empresa nesse período e encontrar o PGR sem riscos psicossociais, a multa começa: R$ 1.610 a R$ 6.708 por trabalhador exposto [Fonte: Migalhas/Contabeis].
6. O Que a Lei Exige da Sua Empresa Agora
A NR-1, após a Portaria MTE nº 1.419/2024, exige especificamente:
Identificação dos riscos psicossociais: mapeamento de todos os fatores de risco presentes no ambiente de trabalho, por setor e por função
Avaliação com instrumento validado: instrumento científico reconhecido, aplicado por profissional habilitado (psicólogo organizacional)
Integração ao PGR: os riscos psicossociais precisam estar dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos, com inventário, classificação e plano de ação
Plano de ação com prazo e responsável: identificar sem agir não é suficiente
Documentação disponível: todo o processo registrado e acessível para auditoria
7. O Que NÃO É Avaliação de Riscos Psicossociais
Existem algumas confusões frequentes que podem colocar a empresa em risco mesmo quando ela "acha que já fez":
Prática | O que faz | Substitui a NR-1? |
Pesquisa de clima organizacional | Mede satisfação e engajamento | Não |
Questionário de bem-estar | Mede como o funcionário está se sentindo | Não |
Conversa com o RH | Escuta ativa informal | Não |
Programa de saúde mental (EAP) | Apoio psicológico e bem-estar | Não |
Avaliação com instrumento validado | Identifica fatores de risco com rastreabilidade jurídica | Sim |
A diferença entre fazer e "achar que fez" pode custar caro na fiscalização.
8. Checklist: Sua Empresa Está Exposta?
Carga de trabalho
Os funcionários conseguem cumprir as metas dentro do horário de trabalho na maioria dos dias?
As horas extras são exceção, não regra?
Liderança e relações
Os gestores têm treinamento para liderar sem recorrer a pressão excessiva ou ameaças veladas?
Existem canais formais para o funcionário relatar conflitos com a liderança?
Autonomia e organização
Os funcionários têm pelo menos algum poder de decisão sobre como realizam seu trabalho?
As regras e expectativas são comunicadas de forma clara e consistente?
Equilíbrio e reconhecimento
A empresa respeita horários de trabalho e períodos de férias?
Existe alguma forma estruturada de reconhecimento do trabalho realizado?
Documentação
O PGR da empresa inclui avaliação de riscos psicossociais?
Existe plano de ação documentado para os riscos identificados?
Mais de 3 respostas negativas indicam exposição jurídica concreta.
9. Perguntas Frequentes
Riscos psicossociais são obrigatórios para todas as empresas ou só para as grandes?
Todas as empresas com funcionários CLT, independente do porte. Microempresas podem usar versão simplificada do PGR, mas a obrigação de incluir riscos psicossociais é a mesma.
Se a empresa tem menos de 10 funcionários, ainda precisa se adequar?
Sim. A obrigação é para qualquer empresa com funcionário CLT. O que varia é a complexidade e o custo da adequação — menor para empresas menores.
A empresa pode terceirizar a avaliação de riscos psicossociais?
Pode e, na maioria dos casos, deve. A avaliação exige psicólogo organizacional com conhecimento em saúde ocupacional — perfil raro internamente nas PMEs.
O funcionário é obrigado a responder o questionário de avaliação psicossocial?
Não é obrigado, mas a participação deve ser voluntária e anônima — o que aumenta muito a taxa de resposta. A NR-1 exige participação dos trabalhadores no processo.
Com que frequência a avaliação precisa ser repetida?
Não há prazo fixo na NR-1, mas a norma exige monitoramento. A recomendação técnica é avaliação periódica a cada 1–2 anos, ou sempre que houver mudança relevante na organização do trabalho.
Se a empresa já tem PCMSO atualizado, está adequada?
Não. O PCMSO e o PGR são programas complementares. A obrigação de riscos psicossociais é dentro do PGR. O PCMSO precisa estar alinhado ao PGR, mas não o substitui.
O Ministério do Trabalho vai fiscalizar proativamente ou só quando há denúncia?
As duas situações acontecem. O Ministério do Trabalho tem programas de fiscalização por setor. Empresas com histórico de acidentes ou afastamentos tendem a atrair mais atenção. Mas qualquer empresa pode ser autuada em fiscalização de rotina.
10. Como a TRH Pode Ajudar Sua Empresa
A TRH é uma das poucas empresas de SST no Brasil que tem psicólogos organizacionais na equipe. Não subcontratamos esse serviço. Fazemos internamente — com protocolo próprio e relatório técnico com validade jurídica.
O que oferecemos para gestão de riscos psicossociais:
Diagnóstico Gratuito: análise do PGR atual e dos indicadores de saúde da empresa (afastamentos, rotatividade, absenteísmo)
Avaliação de Riscos Psicossociais: instrumento científico validado pelos nossos psicólogos, relatório técnico por setor com nível de risco e recomendações
Integração ao PGR: nossos engenheiros de segurança incorporam os resultados ao PGR existente ou elaboram um novo
Plano de Ação Personalizado: ações viáveis dentro da realidade do porte e do orçamento disponível
Treinamento de Lideranças: gestores capacitados para reconhecer e lidar com fatores de risco psicossocial
Monitoramento Contínuo: acompanhamento periódico para garantir que o PGR continue válido
25 anos de experiência, equipe multidisciplinar, e a expertise psicossocial que a lei passou a exigir. Fale com um especialista da TRH e receba um diagnóstico gratuito para a sua empresa.
Fontes: Portaria MTE nº 1.419/2024 | OIT — Riscos Psicossociais no Trabalho | ANAMT/INSS — Estatísticas de afastamentos 2023-2025 | Agência Brasil — Burnout triplicou no Brasil entre 2023 e 2025



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